O grupo de 32 observadores (15 EUA, 4 Portugal, 2 Eslováquia, 2 Grécia, 1 França, 1 Eslovénia, 1 Hungria, 1 Rep. Checa, 1 Áustria, 1 Israel, 1 Itália, 1 Roménia, 1 Polónia) foi dividido em 4 áreas geográficas, para ter feedback de diferentes partes do país. No caso de Rodrigo Pereira Coutinho, esteve em Belgrado, central e arredores.
O primeiro impacto relevante foi a quantidade de eleitores que preenchiam, na sua totalidade, a escola que acolhia a assembleia de voto. O grupo de observadores, mais a equipa que nos acompanhava, teve uma grande dificuldade de se acercar às mesas de voto. No dia anterior, um deputado do SNS tinha feito uma apresentação em que falava sobre as expectativas que tinha para as eleições. Não esperava mais de 65% de participação, quando o máximo até agora teria sido de quase 62% em 1993. Na realidade, quase tocou os 68%. A própria oposição a Vucic, a Lista de Estudantes, apresentava as eleições como um referendo à governação do SNS. Não tinha um líder, um candidato a primeiro-ministro, ou um programa de governo, para além de agregar opositores, maioritariamente de esquerda, mas não só. Assim, acabou por haver uma polarização, que se notou nas mesas de voto, em que a presença constante era do SNS e da Lista de Estudantes.
O processo de voto é um pouco diferente do português. Na chegada a primeira verificação é do dedo, pois quando uma pessoa vota é-lhe colocada uma tinta indelével (pigmentador eleitoral), que indica de imediato se a pessoa pode prosseguir. Nas 10 mesas que visitámos só se tinha verificado um caso de uma pessoa que tinha tentado voltar a votar. Cada pessoa recebe um papel com as indicações de onde votar e deve levá-lo, apresentando-o com o cartão de identidade. Para votar, cada pessoa assina à frente do seu nome nas listas de eleitores. O voto não é através de uma cruz num quadrado, mas de um círculo diante do número da entidade em que se quer votar.
Uma preocupação era transversal a todas as mesas de voto. A percepção de que a compra de votos é algo cultural e que tem de ser eliminado. O problema verificava-se especialmente em urnas que eram cobertas por cortinas. A privacidade das pessoas, que deve ser protegida, dava azo a que fossem tiradas fotos do boletim de voto, junto com o cartão de identidade, para provar que se tinha realizado o voto “correto”. Na maioria das mesas de voto, tinha-se chegado a um acordo entre as partes para que as cortinas fossem levantadas, para ser mais fácil verificar se estava a ser utilizado o telemóvel, algo proibido por lei. Nalguns casos, não se conseguiu chegar a acordo entre as partes e as cortinas continuavam a cobrir a câmara de voto. Várias pessoas foram apanhadas a fotografar os seus boletins de voto e foram repreendidas. Num caso, a mesa tomou a decisão de obrigar o eleitor a apagar a fotografia.
Outra situação que nos foi referenciada, mas desta não houve qualquer queixa real, foi a do chamado Comboio Búlgaro, em que uma pessoa recebe um boletim de voto já preenchido, na câmara de voto, guarda o boletim vazio e coloca na urna o pré-preenchido. Ao devolver o boletim vazio, está a provar que votou “corretamente”.
Falámos abundantemente com elementos das mesas que representavam instituições, o SNS e a Lista de Estudantes e, apesar da especial atenção por estes riscos de “venda de votos”, a transparência, liberdade e justiça do voto estava amplamente garantida.
Para além das visitas às mesas de voto, voluntariaram-se três pessoas para falar com a imprensa: Um americano, um israelita e Rodrigo Pereira Coutinho, tendo dado três entrevistas cada, a diferentes meios, com especial relevância para a Pink.
As declarações de Rodrigo Pereira Coutinho foram veiculadas pelos meios de comunicação social Euronews, B92, NIN, RTV, Kurir, 24Sedam, Telegraf, Pressonline e Tanjug.

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