
***
Os números não mentem: A Catalunha alberga actualmente metade dos casos conhecidos de casamento forçado em Espanha – com uma incidência específica na pequena comunidade paquistanesa da região autónoma. https://theobjective.com/ sociedad/2025-04-02/cataluna- matrimonios-forzosos/ A prática parece estar fora de controlo, catapultando a Catalunha para a posição de liderança no curto período desde o fim da pandemia. É também para a Catalunha que os paquistaneses mais imigram, com 50% da população em Espanha a residir na autonomia.
Durante as últimas décadas, a Catalunha tem sido um bastião fiável das políticas e dos eleitores de esquerda no contexto espanhol.

Ainda que as atitudes em relação à imigração em massa tenham azedado em áreas tradicionalmente conservadoras da Espanha rural, e o VOX rapidamente se tenha tornado uma força importante na Andaluzia e no sul da Espanha, em geral, a Catalunha permaneceu um reduto de apoio às políticas de migração massiva, permitindo que a população estrangeira na Generalitat atingisse mais de um milhão https://www.eldiario.es/ catalunya/catalunya-alcanza-8- millones-habitantes-gracias- 20-poblacion-migrada_1_ 10654221.html – ou 12% da população. #RefugeesWelcome foi um slogan popular na região e, até hoje, os partidos mais votados da Catalunha apresentam fortes credenciais socialistas e separatistas.
No entanto, o VOX não só tem vindo a crescer – agora com 7% dos lugares – como também está a ser ultrapassado por outros partidos, como a Aliança Catalana, que combina na sua plataforma conservadorismo social, anti-imigração e separatismo; pela primeira vez, a Catalunha começa a vislumbrar um nacionalismo de direita. É isto que torna a AC competitiva face a partidos como o Partido Popular, de centro-direita, e o VOX, de direita populista. A outra alternativa para o eleitorado de direita da Catalunha era o partido Junts, que se apresenta como uma espécie de LibDem regional. Porém, apesar da concorrência, o AC está atualmente presente no parlamento regional com 2 deputados e, se as eleições se realizassem em breve, poderia muito bem aumentar para 10 deputados e entrar no Top 5 dos partidos regionais mais votados.
https://www.lavozdegalicia.es/ noticia/espana/2025/03/27/ ultras-alianca-catalana- utilizan-migracion-crecer- costa-vox-junts/ 00031743109128541457907.htm
À semelhança do que acontece noutras partes da Europa e do Ocidente, os padrões de votação confirmam que as mulheres jovens votam na extrema-esquerda e os homens mais velhos na Direita conservadora. Sondagens recentes indicam que os catalães consideram que a região tem “demasiados imigrantes”, que estes “beneficiam mais do que contribuem” e que “ameaçam os empregos dos habitantes locais”. https://www.elperiodico.com/ es/sociedad/20240704/mitad- catalanes-considera-demasiada- inmigracion-105007343
O fenómeno da imigração em massa duplicou a sua relevância eleitoral numa única década, tendo um impacto maior nas zonas rurais do que nas grandes cidades cosmopolitas como Barcelona. A maior mudança registou-se nos eleitores centristas, o que significa que, à medida que a Catalunha começa a sentir alguns dos mesmos problemas de coesão social que assolam o norte da Europa, é seguro apostar que a bandeira da anti-imigração de Direita veio para ficar e terá um impacto significativo a nivel nacional. Actualmente, a coligação socialista no poder em Espanha, conta com o apoio parlamentar informal do partido liberal catalão Junts. Se este perder apoio ao mesmo ritmo que os outros partidos liberais pró-imigração em Espanha e em França, a dependência de Madrid de partidos anti-imigração catalães, poderá tornar-se um factor permanente de todos as soluções governativas espanholas.